terça-feira, 30 de novembro de 2010

GESTÃO DE CONFLITOS

Um importante ponto na gestão de conflitos é conhecer todos os envolvidos, o ambiente e o histórico dos conflitos, seja internamente numa organização ou num macroambiente. Um exemplo de uma gestão de conflitos mal sucedida aconteceu na década de 80 numa pequena ilha das Ilhas Salomão, Anuha. A pequena Ilha era de "propriedade" de uma pequena comunidade nativa de uma Ilha maior (N'Gela Central), liderada por um padre aposentado, o Padre Pule. Anuha possuía uma beleza natural paradisíaca, dos sonhos de diversos turistas (uma linda lagoa interna, recifes de corais, floresta tropical...) propícia para ser explorada para o turismo. Isso atraiu a atenção de empresários australianos que tentaram negociar locar a ilha de seus "donos" para fazer um resort (o primeiro das Ilhas Salomão). O padre Pule negociou o contrato de locação com os investidores autralianos. Outros nativos tentaram entrar no meio para conseguir também parte do contrato, alegando que ancestrais deles há mais de 100 anos atrás usufruíam da ilha para a pesca, porém o governo negou a permissão, e o contrato ficou apenas para o povoado de 60 habitantes. Para compensar o corte de coqueiros e outras árvores da Ilha para a construção de uma pista de pouso e instalações do resort, foi pago aos nativos uma grande indenização. Tudo correu bem durante 2 anos, as relações eram amigáveis, até que outros australianos compraram a empresa. Porém eles "pegaram o bonde andando", não sabiam dos costumes dos nativos, sua história nem as o que tinha sido acordado. Os novos donos do resort mudaram a administração do negócio, mandando embora os antigos gestores e muitos empregados (alguns os próprios nativos) contratando nativos de outras ilhas, além de usufruir dos recursos da ilha sem pagar nenhuma indenização aos nativos, o que os ofendeu muito. O Padre Pule exigiu rever o contrato, ele queria pedir a anulação, mas nenhum acordo aconteceu. Os nativos então invadiram a Ilha fazendo vários buracos na pista de pouso e ameaçando os novos gestores. Para evitar novos problemas, os donos venderam novamente a empresa para um novo dono, que novamente não sabia nada do que estava acontecendo. Sem novos acordos os nativos liderados pelo Padre Pule invadiram de novo a ilha com pinturas de guerra, correndo à flehas e lanças os novos gestores, e fazendo de reféns muito funcionários e o pessoal responsável pela construção das instalações, além de sabotarem vários equipamentos e motores. A polícia das Ilhas Salomão foi obrigada a intervir para libertar os reféns e prender os homens do Padre Pule. Resumidamente o resort acabou sendo queimado (incêndio criminoso), foi fechado, e os homens do padre Pule condenados a pagar pelos crimes que cometeram, tudo por que não se tinha conhecimento da cultura local, não foi respeitado a cultura de um povo nem o contrato original, e o governo interviu de maneira errada e não sobe gerenciar o conflito. Esse estudo de caso está bem mais detalhado no livro Coastal Zone Management Handbook, de Jonh Clark, página 569.


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